O espelho é campo de batalha
Onde eu perco todos os dias
Meço meu valor em números
Que nunca bastam, nunca seriam
Não é vaidade, é sobrevivência
Numa guerra que ninguém declarou
Meu corpo virou território
Que a sociedade colonizou
Espelho de guerra
Reflexo que nunca é suficiente
Controlo o que resta
Numa fome que não é de comida, é de gente
Espelho de guerra
Luto contra o que vejo
Mas o inimigo mora dentro
E eu sou o único cerco
Contam calorias como quem reza
Um ritual que promete controle
Mas quanto mais aperto as rédeas
Mais o corpo grita e se dobre
Não é sobre comida, é sobre um corpo que não é meu
Cada número na balança é um veredito que alguém escreveu
Espelho de guerra
Reflexo que nunca é suficiente
Controlo o que resta
Numa fome que não é de comida, é de gente
Espelho de guerra
Luto contra o que vejo
Mas o inimigo mora dentro
E eu sou o único cerco
E o espelho segue mentindo
Sobre quem eu deveria ser