Vendem meu corpo em close-up
Minha dor rende clique
Me aplaudem enquanto sangro
Isso aqui não é crítica, é tique
Cada frame é um contrato
Que eu nunca li de verdade
Assinei com sangue e sorriso
Trocando alma por vaidade
Aplauso é anestesia
Eu virei minha própria empresa
Vendo pedaço, vendo cena
Lucro cresce, eu esvazio
Tenho fome de palco
E o palco tem fome de mim
Quem come quem nesse trato?
Ninguém pergunta o fim
Plateia pede mais um pouco
Mais um corte, mais um grito
Eu dou porque não sei parar
Virou hábito, virou rito
Nos bastidores ninguém pergunta
Se ainda sobra alguém aqui
Só quer saber se o show continua
Se eu aguento repetir
Aplauso é anestesia
Mas a dose já não é suficiente
Preciso de mais palco
Pra sentir que ainda sou gente
Tenho fome de palco
E o palco tem fome de mim
Quem come quem nesse trato?
Ninguém pergunta o fim
Holofote não aquece
Só ilumina o que apodrece
E eu built pra brilhar
Não pra ser visto que eu pereço
Tenho fome de palco
E o palco tem fome de mim
Quem come quem nesse trato?
Ninguém pergunta o fim