Encho o vazio com o que corrói
Cada gole é um funeral adiado
Não bebo pra sentir, bebo pra esquecer
Do nada que ficou entalado
O alívio dura um segundo
Depois volta tudo em dobro
A fuga vira jaula
E eu sou meu próprio carrasco, meu próprio assombro
Veias de fuga
Correndo pro mesmo lugar
Cada ciclo é uma corda
Que eu mesmo ajudo a apertar
Veias de fuga
Não existe linha de chegada
Só a repetição
De uma alma emprestada
Prometo parar amanhã
Amanhã nunca chega de fato
O corpo pede o que a mente nega
Num ciclo perfeito, exato
Não é vício, é anestesia pra uma dor sem nome nem cura
Cada recaída uma confissão de que a fuga não é leveza, é loucura
Veias de fuga
Correndo pro mesmo lugar
Cada ciclo é uma corda
Que eu mesmo ajudo a apertar
Veias de fuga
Não existe linha de chegada
Só a repetição
De uma alma emprestada
E as veias seguem pedindo
O que a alma não perdoa