Eu observei o solo por mil anos de geada e de inverno
Pensando na beleza e no tempo que parecia eterno
Mas lá no fundo da terra, onde os olhos não podem ver
O chão estava sonhando com uma nova versão de mim nascer
Não importa quantas vezes os galhos venham a quebrar
Ou quantos passos pesados a gente tenha que dar
A seiva está subindo e o espírito encontra o seu meio
De transformar em jardim o que antes era receio
Nós carregamos feridas como sementes em um baú
Esperando o momento de ver o céu ficar azul
A maldade diz que se você quebrou, não tem mais jeito
Mas o jardim sabe que a cura mora dentro do peito
Eu vejo as ervas daninhas, mas escolho ver as flores também
Em cada gota de orvalho que a manhã nos mantém
A vida é uma coisa teimosa que se recusa a morrer
Mesmo quando a fumaça tenta nos fazer esquecer
O jardim das segundas chances, florescendo na alma
Pegando os cascos, e devolvendo a calma
O mundo está renascendo, em cada respiro que eu dou
Pois a vida continua, e eu sei quem eu sou