No começo
Quando o mundo ainda não sabia ferir
Não existia cor
Não existia divisão
Só existia, vida
Mas o tempo passou, e o homem mudou
Criou fronteiras onde nunca existiu
Separou rostos, julgou histórias
E esqueceu, de onde partiu
Chamaram de diferença
Aquilo que era riqueza
Transformaram amor, em defesa
Entre olhares, palavras e leis
Nasceu o preconceito, mais uma vez
E quantas vozes foram caladas?
Quantas histórias apagadas?
Quantas vidas, deixadas pra trás
Por algo que nunca deveria existir?
Eu sou a voz, de quem não pôde falar
Eu sou a voz, de quem não pôde falar
O grito preso, que insiste em ecoar
De todas as eras, de todo lugar
O preconceito não vai nos calar
Carrego a dor, mas não vou parar
Se o mundo caiu, eu vou levantar
Cada injustiça, vai ter fim
Porque essa luta, vive em mim
Pele julgada, sangue derramado
Amores proibidos, destino negado
Crenças queimadas, vozes silenciadas
Vidas inteiras, foram apagadas
Das ruas ao trono, da lei ao olhar
O preconceito aprendeu a se disfarçar
Mas em cada canto, alguém resistiu
E mesmo ferido, nunca desistiu
E quantos sonhos foram quebrados?
Quantos futuros apagados?
Quantos nomes, ninguém ouviu
Mas o tempo, nunca esqueceu?
Eu sou a voz, de quem não pôde falar
Eu sou a voz, de quem não pôde falar
O grito preso, que insiste em ecoar
De todas as eras, de todo lugar
O preconceito não vai nos calar
Carrego a dor, mas não vou parar
Se o mundo caiu, eu vou levantar
Cada injustiça, vai ter fim
Porque essa luta, vive em mim
Não é passado
Ainda acontece
Não é distante
Ainda fere
Mas enquanto existir
Alguém vai lutar
E enquanto houver voz
Ninguém vai parar
Não nascemos odiando
Isso foi aprendido
Mas pode ser quebrado
Pode ser reconstruído
Cada passo, cada voz, cada decisão
É um golpe direto, na discriminação
Não importa quem você é
Ou de onde vem
Ninguém é maior
Ninguém é além
Se existe um futuro
Ele começa aqui
Quando escolhemos, resistir
Nós somos a voz, que agora vai falar
Nós somos a voz, que agora vai falar
O silêncio acabou
Ninguém vai calar
De todas as eras
De todo lugar
O preconceito vai ter que acabar
Carregamos a dor
Mas vamos vencer
Não há mais espaço
Pro mundo esquecer
Essa é a luta, até o fim
Porque essa história, vive em mim
Se um dia o mundo aprender
A ver, antes de julgar
Talvez
A gente finalmente, possa viver