Casa de barro, quieta no tempo
Segura o vento sem reclamar
Tem nas paredes marcas de vida
Que o olhar ligeiro não vê passar
Chão batido, passo descalço
Frio gostoso subindo do chão
Cada pisada conta um segredo
Guardado ali na imensidão
Quem entra sente sem entender
Que ali tem mais do que dá pra ver
Casa de barro, abrigo de chão
Guarda silêncio e coração
No pouco espaço cabe um viver
Que o mundo grande não sabe ler
Luz entrando pelas frestas
Desenhando o fim da tarde
E o tempo ali, sem ter pressa
Vai ficando em cada detalhe
Pote de barro guardando o frio
Água fresca pra quem chegar
E nesse pouco mora um mundo
Que muito não sabe explicar
Não tem parede que separe
O que é de dentro e de sentir
Ali o tempo não se perde
Só aprende a existir
Casinha simples, feita de chão
Raiz fincada no coração
Pode o tempo tudo mudar
Mas essa casa não sai do lugar
E mesmo longe, em outro lugar
Tem algo dela que fica aqui
Porque uma casa assim de barro
Não se deixa nunca partir