Saudade vem feito vento calado
Trazendo aquele céu estrelado
Noite tão limpa que dava pra ver
O escuro desenhado pra gente entender
Pé no galho do umbuzeiro
Riso solto o dia inteiro
Mão suja de barro, de terra, do chão
Liberdade morando no coração
Era tão pouco, pode acreditar
Meu mundo inteiro naquele lugar
Saudade boa do meu sertão
Cheiro de vida, gôsto de pão
Onde a alma aprende a viver
Com quase nada, mas cheio de ser
Banho de chuva no barro molhado
Corpo leve, sorriso lavado
Água descendo sem direção
E a gente livre feito canção
Cheiro de café coado no pano
Varanda simples, começo de ano
Rede armada, tempo devagar
E o mundo inteiro ali sem faltar
Galo cantando chamando o dia
O Sol nascendo com poesia
Água fresca do pote de barro
Matando a sede de um jeito raro
Banho gelado pra despertar
Leite tirado pro dia começar
Na roda de pandeiro, quando é festa
O forró corre solto, ninguém se aquieta
Coração simples, mão estendida
Solidariedade é lei da vida
Lá todo mundo sabe cuidar
Do pouco que tem e de quem precisar
Saudade viva do meu sertão
Raiz profunda no coração
Pode o tempo me afastar dali
Mas esse mundo não sai de mim