Quando o Sol se despede lento
Há uma luz que alguém acendeu
Chama viva, gesto antigo
Que o tempo não esqueceu
Na mesa posta em silêncio
Há cuidado em cada pão
Um respeito que atravessa
Geração por geração
São costumes que permanecem
Sem ninguém saber explicar
São luzes antigas na gente
Que o tempo não apagou
Tradições que se parecem
Com caminhos que alguém deixou
É raiz que se revela
Sem precisar se provar
No costume repetido
De viver e respeitar
Tem nome que vem das páginas
De histórias de outro lugar
E ecoa na voz do povo
Sem nunca se desligar
No chapéu de couro ao vento
Protegendo o caminhar
Como um gesto sobre a cabeça
Que insiste em continuar
No cuidado com o que se come
No que se escolhe evitar
Há memória em cada escolha
Que não se pode explicar
E quando a vida se despede
Sem demora pra esperar
Há um rito silencioso
Que ensina a respeitar
No pedido manso de a bênça
Antes mesmo de sair
Há um traço de reverência
Que o tempo deixou florir
São luzes antigas na gente
Que insistem em permanecer
Mesmo longe de onde vieram
Continuam a viver
É herança que não se escreve
Mas se sente ao praticar
E atravessa as gerações
Sem nunca se apagar
E talvez em cada gesto
Que a gente nem percebeu
More um mundo muito antigo
Que aqui permaneceu