Essa música do avesso é pra você que sabe
Eu não mereço consideração, mas mesmo assim
Eu dediquei as cordas desse velho violão
Nova intenção de me perder em ti, fugir de mim
Quantas vezes já andei descalço no terraço querendo
Tentando encontrar inspiração
Sempre um pingo de ternura e um balde de tormento
Descontentamento então, mas tipo assim
Quando você surgiu a tempestade passou
O poder do feitiço da encruzilhada cessou
O coração se abriu, a alma se despertou
Nenhuma folha caiu se assim não se lhe ordenou
Toda a linguagem humana só uma se tornou
Contraíram-se os músculos e a face enfim se mostrou
Quando você surgiu o trânsito engarrafou
Essa música do avesso eu fiz do fim
Para o começo e o começo é onde eu queria estar
Pra você se tornar todo dia minha novidade
Na verdade, a densidade do meu lumiar
Quando você surgiu o vento veio incerto
A imensidão do riso media quase um deserto
Naves interplanetárias fizeram contato direto
E quem ‘tava’ na prisão, de repente, foi liberto
Animais, então extintos, fizeram-se redescobertos
Minha mente perturbada me deixa menos discreto
Pra sem medo dizer, tal qual um ser inquieto
Eu e você, baby, num mundo insano e completo
Quando você chegou, criou-se um novo decreto