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Confira a Letra Civitas

Pablo Escobar

Civitas

Quando me convidaram pra aquela janta
Achei que era só pra comer e passar
Um tempo com os amigos
Se eu soubesse que ia acabar no meio

Do fogo cruzado entre dois imbecis
Se estapeando pra defender seu político
De estimação, não teria vindo
Começou no grito, cresceu a tensão

Mudaram a pauta, virou confusão
Falar de política era pra elevar
Mas virou fumaça pra outro lugar
Sem argumento, só WhatsApp e terror

Caindo nos golpes em cima do Senhor
Olhando nos olhos, agem com má intenção
E querem ter razão, mas perderam a noção
Enquanto eles brigam por cor e partido

Deputado só fala na porra do próprio umbigo
No meio do caos, muita mentira pelo ar
Eles falam o que é preciso pra poder ganhar
Na rua, é trauma, é fila pra esperar

E esperança rege-nos para melhorar
Mas não espere ajuda vinda do lado de lá
Porque pouco importa: O povo tem que se lascar
Jogam o medo na mesa, apostando e brincando com a fé

Eles quebram a ponte e perguntam: Por que ninguém tá de pé?
Falam de guerra, mas guerra pra quem?
Pra mulher, pro moleque, pro preto também
Mas, quando o povo resolver levantar?

E se uma revolta finalmente começar?
Aí eu quero ver quem é que vai sobrar
Pra onde vai seu jatinho se o mundo acabar?
Tão transformando confronto em palco

Palanque em derrame de sangue simbólico, sórdido
Enquanto o fanático jura que o próprio delírio
É método, estudo, é lógico, é código
E tentar informar? Quase sempre é em vão

Discordam da razão, perderam a noção
Vou te contar o padrão
Eles dividem a dor, multiplicam ruído
Fabricam inimigo, sequestram sentido

Te forçam no atrito com teu próprio amigo
Enquanto o povo tá exausto, quebrado, moído
Aprendendo a apanhar e a chamar de partido
E eles falam e voltam e postam e forçam

O ódio a virar direção
Premeditado, calculado, metódico, cínico
Tático, plástico, pânico, típico, bélico
Ilícito. Criam reação na função de encobrir a missão

Com a cortina de fumaça, reaça, pirraça
Pra a massa cansada, cercada, quebrada, sugada
Sem tempo pra nada, seguindo a boiada
Em meio à manada sem ter que opinar

É caótico, bélico, cômico, trágico
Usando a fumaça num truque estratégico
Moldando o ódio no povo anestésico
Inflamam revolta num rito sistêmico

Depois se recolhem e agem sem pena
Sem freio, sem rosto, sem volta
Mas é um discurso didático!
Cada promessa é fumaça, cada ameaça

Disfarça a engrenagem da manipulação
Cada manchete marreta, massacra
Modela a mente cansada que já nem distingue a ficção
E é bloco contra bloco, olho por olho

Troco por troco, é ódio no rosto, é raiva em rotação
É dedo na cara, é culpa empurrada pra base
Pra fila, pro busão, pro barraco, pro chão
Enquanto o de cima recita a cartilha

Atiça a matilha e assiste de camarote a deterioração
O povo remenda o bolso, o almoço, o osso
O corpo, o sonho ferido e a própria emoção
Mas, quando o povo resolver levantar?

E se uma revolta finalmente começar?
Aí eu quero ver quem é que vai sobrar
Pra onde vai seu jatinho se o mundo acabar?

Discografia