Ao raiar do dia, depois da madrugada
Quando as estrelas ainda se escondiam
Antes do nascer do Sol, alva
Esperava pela aurora
Sobre o cume, a montanha falaria
Antes do pôr do Sol
Era o sabor da farinha de milho
O passaporte para nadar e voar
Então, ouvi, enquanto nadava
No barulho das águas
Eu ouvia a solidão varrendo
Os meandros dos meus sentidos
Eu ouvi, no passo a passo
A atmosfera cantava
As aves e as alvoradas
Ritmavam o piano nas teclas do dó-ré-mi
E o fá, si, lá, Sol
Vinha do fundo da guitarra
Na barragem das mabubas
Nas águas frias do açude
O título era
Bengo, minha terra, meu país
Ibendua, ulua, sungui, rimavam
Bela, bela, linda, linda como é
Os dembos, bula e pango cantavam
É bela, é rica, é linda como é
E o mais incrível é ouvir a fauna
Os municípios, as comunas, os bairros
Num só coro
Minha terra, meu país
Bengo é minha terra, meu país
Pode haver, noutras terras, belezas maiores
Mas existe uma verdade que o coração conhece
O bengo é singular
Solos férteis, florestas vivas, lagos, mar
Riqueza mineral, turismo
Águas que sustentam o futuro
As praias do ambriz e dande
As florestas dos dembos, nambuangongo
Pango, bula, tudo fala
Tudo canta, tudo vive
Bengo, província calma
Quente no oeste, fria no nordeste
Terra onde muitos chegam para estudar
Para trabalhar, e acabam por ficar
Porque ali, faz-se vida
A nova governação já revela sinais de mudança
E a velha ideia do esquecimento
Vai desaparecendo
Ambriz e nambuangongo guardam o norte
Dande e pango abraçam o sul
Dembos, bula-a-tumba, levantam o leste
E o oeste respira mar
Mais de vinte mil quilómetros quadrados
De identidade, de esperança, de riqueza
Bengo, destino obrigatório