Nasci no silêncio, a luz se foi de meus olhos
Senti o mundo com as mãos, marquei pedras com os nós
Carrego contas que cantam, rezas gravadas na pele
Prometi proteger nomes que o destino levou
Minhas mãos levantam montes, meu peito guarda um sino
O corpo é muralha, mas o pranto vem fino
Vi crianças dormirem com fome, eu lhes dei meu pão
E jurei em voz baixa: Que não falte chão
Sou rocha que ora, sou punho que não cede
Minha bênção pesa mais que medo e que sede
Se a sombra vier beber almas do amanhecer
Que encontrem em meus braços o último porte de sofrer
Ouço o mundo nos passos, o som é lâmina e fúria
Cada corrente que eu balanço é um juramento que apura
Não busco glória em cantos, nem falo por vaidade
Sou guardião que caminha entre dor e piedade
Sou rocha que ora, sou punho que não cede
Minha bênção pesa mais que medo e que sede
Se a sombra vier beber almas do amanhecer
Que encontrem em meus braços o último porte de sofrer
Há um grito preso no nome, lembranças que queimam frio
Promessas enterradas sob o templo, no mesmo vazio
Mesmo sem ver o rosto do inimigo, eu sei onde ele está
O som da mentira treme, minha verdadeira arma é o falar
Quando a chuva de aço cortar a noite e o chão tremer
Vou cantar a mesma prece que me fez renascer
Não por glória, não por fama, mas por cada vida que perdi
Sou o punho que insiste, sou a oração que não menti
Sou rocha que ora, sou punho que não cede
Minha bênção pesa mais que medo e que sede
Se a sombra vier beber almas do amanhecer
Que encontrem em meus braços o último porte de sofrer
Se me chamarem de forte, não é só minha mão
É o amor que aprendi a segurar como um bastião
Fecho os olhos, respiro, Namu Amida Butsu
Caminho feito pedra, e a pedra chora por nós dois