Me disseram que o sangue é um rio que não seca
Mas vi o meu virar veneno na própria, caneca
Vi sorriso de irmão escondendo punhal
Entendi que família as vezes é o mal original
O laço que me prende não é carne nem osso é um nó de uma forca apertando meu pescoço
Não dobro o joelho em altar de madeira, meu templo é o asfalto a estrada inteira
Quem segurou minha mão quando céu desabou
Não carrega meu nome mais meu peso carrego-o-o-o-ou
Lealdade é minha única religião
Sem culpa
Sem reza
Sem podre traição
Minha missa é no asfalto ao cair do luar
Com os poucos que o fogo não pode queimar
O sangue não diz quem fica ou quem sai
Minha família eu escolhi onde a luz não cai
Tem beijo que chega com gosto de terra
Um abraço de paz que prepara uma guerra
Vi o brilho da inveja no fundo do copo, enquanto o estranho me tirava do fosso
Cuidado com quem brinda teu sucesso hoje
Pois é o mesmo que torce pra que a sorte, te fuja
Na cabine do bruto as três da manhã
Vi mais verdade ali do que em sermão de fã
O homem que rodou mil léguas ao meu lado
Vale mais que 100 parentes de coração gelado
O falso chora na cova que ele mesmo cavou
O verdadeiro dividiu o pão que o diabo amassou
Lealdade é minha única religião
Sem culpa
Sem reza
Sem podre traição
Minha missa é no asfalto ao cair do luar
Com os poucos que o fogo não pode queimar
O sangue não diz quem fica ou quem sai
Minha família eu escolhi onde a luz
Não cai
Se a veia não tem honra ela não vale o chão
Na última estrada, só fica o irmão