Nó, por nó, o linho desce
O que o espelho esconde, a Lua esquece
Tira a fita
Enxerga o abismo
O atelier dorme, mas o breu me vigia
Dedos frios traçam o que a tinta não devia
Linha por linha, a geometria do engano
Removo o pano branco que me faz parecer humano
Olha pro espelho trincado, encara o corte
O conselho dita a lei, mas eu desenho a sua morte
Eles limpam o topo do mundo, dizem que a magia é pura
Pu-pu-pura
Pura mentira costurada na minha própria carne escura
Eu sinto o toque da pálpebra morta onde o olho existia
E o gosto de ferro do ódio que nenhum feitiço alivia
Passo por passo na sala vazia
A caneta e a espada na mão resfria
Eu digo pras crianças que a arte é pra salvar
Minha voz soa doce, mas o peito quer queimar
Eu sou o mestre que protege ou o monstro que vai usar?
No meu ponto cego, eu vejo o mundo arder!
Círculo negro feito pra te prender!
Mestre da luz de dia, carrasco no fim da linha
Apagaram minha memória, mas não a minha fúria!
No meu ponto cego (ponto cego), não bate um coração
O círculo que ensina a voar é o mesmo que te leva pro chão!
No quarto ao lado, ela deita, dorme, inocente
A faísca perfeita guiada por um tutor doente
Eu sou o escudo que acolhe ou o anzol que joga a isca?
Se o pacto restritivo proíbe, a minha caneta risca!
Sente o cheiro de fumaça? Cinza no meu paladar
Aquela noite em que a infância desaprendeu a chorar
Cadê meu olho direito? Quem foi que veio roubar?
Os bruxos de abas se escondem onde eu não posso olhar!
Conselho maldito, finge que não vê
Se o mundo é um rascunho torto, eu vou refazer!
Pálpebra fechada
Linha violada
Magia trancada?
Pra mim não vale nada
Mordo o próprio lábio, sinto o sangue escorrer quente
Eu não sou um sábio, eu sou o dente da serpente!
Rasga o pergaminho, quebra a estrutura!
Se a justiça é cega, eu desenho a tortura!
Vou achar cada capa preta, cada bruxo que me despiu!
Vou usar a menina, os glifos, o mundo que desabou e caiu!
Não há simetria no ódio, o círculo fecha no pescoço!
Vou triturar as regras desse mundo até que só reste o osso!
Eles vão me devolver o que é meu!
Nó por nó, o linho sobe
O monstro recua, o mestre devolve
Ajusta o óculos redondo
Esconde o passado
Bom dia, coco, o Sol já nasceu, pronta para a aula de hoje?