Lá na venda da encruzilhada, no balcão de madeira
Bato no peito e minto pro povo a noite inteira
Digo que o tempo passou, que o vento a poeira levou
E que na minha memória o seu nome se apagou
Os compadres acreditam na conversa que eu sei dizer
Mas a boca fala uma coisa que o peito não quer obedecer
A verdade é que você mora nessa casa vazia
Tá no café passado, na caneca fria
Dizer que te esqueci é tentar enganar o pensamento
Mas a roça ensina que não se esconde o sentimento
Quanto mais tento arrancar essa lembrança do meu chão
Mais a dor cresce forte feito praga no espigão
Como esquecer um amor que fincou o pé desse jeito?
Esse sentimento virou árvore grande dentro do meu peito
As suas raízes são fundas
Como dizer que esqueci, se não é essa a verdade?
Meu coração tá doente de tanta saudade!
Você foi o Sol da lavoura, minha água de beber
A sua partida sem rumo só me fez sofrer!
Posso enganar o mundo inteiro, o espelho e o balcão
Mas a sua ausência manda no meu coração!
Vou até a cerca de arame no limite da propriedade
Olho pra estrada de terra procurando a felicidade
Mas a noite chega fria e o sereno começa a cair
O perfume do seu rastro ainda teima em não sumir
No silêncio desse quarto, quando o lampião se apaga
A mentira cai por terra e o fantasma me esmaga
Como esquecer um amor que fincou o pé desse jeito?
Esse sentimento virou árvore grande dentro do meu peito
As suas raízes são fundas
Como dizer que esqueci, se não é essa a verdade?
Meu coração tá doente de tanta saudade!
Você foi o Sol da lavoura, minha água de beber
A sua partida sem rumo só me fez sofrer!
Posso enganar o mundo inteiro, o espelho e o balcão
Mas a sua ausência manda no meu coração!
Nas madrugadas frias, quando o galo cantar
Sei que a primeira lembrança vai ser te procurar
Não te esqueço um só momento, essa é minha condenação
Raiz profunda que a enxada não consegue arrancar
Eu não sei te esquecer