A noite caiu pesada aqui no vale do sertão
O vento chora nas frestas, judia do coração
Olho pra viola caipira encostada na parede
Minha vida sem você é como terra com sede
Peguei um papel de pão, o lápis começou a escrever
Aceita esse meu apelo, não sei viver sem você!
Meu ex-amor, não me negue essa chance derradeira
Eu não quero esse título de ex pela vida inteira
Vamos subir pra cabana, lá no alto do espigão
Esquecer o mundo lá fora e curar essa solidão
Passa comigo as horas, de sábado até segunda
E eu duvido que outra boca te traga paz tão profunda!
(A viola chora mais alto, a marcação do violão fica firme)
Eu conheço o seu corpo como um geólogo conhece o chão
Sei os segredos da terra e as veias do seu coração
Vou te tirar esse véu
Me deixa solto contigo, num quarto bem trancado!
Que a gente morre de amor e vai pro céu perdoado!
No alfabeto do afeto, eu vou do A até o Z
E guardo a nossa surpresa pra hora que acontecer!
Tornar o quase impossível é fácil na minha mão
Só depende do seu sim pra acender nosso fogão!
O sábado veio com chuva, o lodo cobriu a estrada
Eu esperei no fogão a lenha, com a alma angustiada
Mas o estalo na madeira anunciou o seu compasso
A porta abriu devagar e você se entregou no meu abraço
Sem pressa e com muita calma, o drama ali terminou
Fiz o toque virar cura e até sua alma mudou!
Eu conheço o seu corpo como um geólogo conhece o chão
Sei os segredos da terra e as veias do seu coração
Vou te tirar esse véu
Me deixa solto contigo, num quarto bem trancado!
Que a gente morre de amor e vai pro céu perdoado!
No alfabeto do afeto, eu vou do A até o Z
E guardo a nossa surpresa pra hora que acontecer!
Tornar o quase impossível é fácil na minha mão
Só depende do seu sim pra acender nosso fogão!
Segunda-feira nasceu com o Sol brilhando na mata
Você não foi mais embora, rasgou a saudade ingrata
O nosso amor é colheita que a gente soube plantar
Receba o título de minha mulher
E nunca mais saia do meu altar
Valeu, meu ex-amor