Olhe
Olhe bem
Não desvie agora
Olhe para os teus próprios olhos
E veja o que restou de você
Promessas jogadas ao vento
E o vazio que insiste em crescer
Os anjos já não dizem nada
Eles cansaram de esperar
Você pediu por liberdade
Mas não soube onde chegar
Viver agora é tão difícil
Quando se evita enxergar
Mas ainda existe um sopro
Que insiste em te chamar
Vamos celebrar a queda
Vamos brindar a ilusão
A dor que a gente cultiva
E chama de redenção
Vamos cantar bem alto
Pra ninguém perceber
Que estamos todos perdidos
Sem saber o porquê
É tão fácil dizer que não é nada
Fingir que tudo está bem
Mas as perguntas continuam
Vivendo dentro de alguém
Todos querem respostas
Mas ninguém quer escutar
Que a verdade mais simples
É difícil de aceitar
Olhe com os teus próprios olhos
Veja a sua destruição
Não foi o mundo que te quebrou
Foi você, com as próprias mãos
Vamos celebrar a queda
Vamos brindar a ilusão
A dor que a gente alimenta
E chama de salvação
Vamos rir do absurdo
Do que a gente se tornou
E esconder no fundo da alma
Tudo aquilo que sobrou
Morrer parece tão fácil quando viver pesa demais
Quando tudo perde o sentido e ninguém olha pra trás
E a gente finge que entende, que aceita, que tanto faz
Enquanto o tempo nos leva e nunca volta jamais
E ainda assim você escolhe continuar a existir
Entre erros repetidos e o medo de decidir
Mas talvez exista um caminho que comece em você
Quando tudo estiver perdido, ainda dá pra escolher
Nesse momento estou longe
Muito longe de você
Não posso ver o seu presente
Nem prometer te encontrar
Mas se houver algum caminho
Talvez eu esteja lá
Vamos celebrar a queda
Até não restar mais chão
E reconstruir dos cacos
Um motivo, uma razão
Vamos cantar bem alto
Até a voz se perder
Porque no meio do caos
Ainda existe você
Olhe
Só mais uma vez
E não fuja de você