Tem gente que anda em linha torta
Com lanternas no bolso, prontas para iluminar
E mesmo se carrega o mundo sob as costas
Aprende a rir do próprio acaso pra não desabar
Se traz cicatriz, napalm ou vidro na garganta
Não quer dizer que aprendeu a suportar
Mas escolhe viver e regar o que planta
Do que ser sombra onde precisa estar
Pra quando o dia virar breu
E pesar triste sobre um dos seus
Pôr luz e silêncio onde muitos
Enxerga apenas o que morreu
Mas não é o que se cala que merece aplauso
Há silêncios que são como cordas no pescoço
E amarram nas lanternas que ofuscam o espaço
Ao contrário de quem vive pra ser caos de bolso
Afinal, cada sapato tem o peso exato
Do que é se segurar em sua própria borda
E não cair no poço quando tudo se transborda
Do vazio que na alma se faz abstrato
O que não significa que tudo que disse
Vá fazer o horizonte iluminar de vez
Mas ser como um farol debaixo da marquise
Faz do abraço mais sincero ser os seus porquês
Mas não é o que se cala que merece aplauso
Há silêncios que são como cordas no pescoço
E amarram nas lanternas que ofuscam o espaço
Ao contrário de quem vive pra ser caos de bolso
E entre luzes que vacilam e fazem do caminho
Um errar de passos onde cabe até saudade
Mas me tira um riso fácil e com sinceridade
Porque o caos é menos caos se não é caos sozinho
Mas não é o que se cala que merece aplauso
Há silêncios que são como cordas no pescoço
E amarram nas lanternas que ofuscam o espaço
Ao contrário de quem vive pra ser caos de bolso
E assim, quando o depois quiser ser um recorte
E não colar em suas sobras o que ilumina
Se eu não conseguir cantar o quanto se fez rima
É porque sua presença em mim nunca foi sorte
Risco de fósforo num dia sem prece
Um farol discreto em porto improvisado
Num tipo estranho de caos que oferece
Pra ser, no escuro, o lado iluminado