É claro que eu gostaria de te ver
Em outra vida, logo assim que formos gatos
Me sinto até melhor quando penso nisso
Já que, se não fosse assim, seria de outro jeito
Mas até que alguém descubra o que veio primeiro
Se a miséria ou a música, resta pra gente bem pouco
Um pouco mais que oito gramas de vida
Ou talvez um pouco menos do que o incômodo
Por nunca mais achar amigos
Como aqueles dos doze anos
Por perceber, triste e só
Que talvez seja um enorme engano
Querer encontrar alguém
Que nos faça querer ser melhor
Mas, ao mesmo tempo, eu vivo de histórias
E misturo nelas quem eu quis ser
Também enxergo o que não cabe no manuscrito
Desse roteiro acontecendo sem porquê
Disso agora ainda não ser belas memórias
Porém, em breve, me farão infinito
Mas, afinal, até quando deitar nesse divã?
O que é que a vida, de verdade, quer de mim
Quando tem cheiro de napalm pela manhã
E finge não saber, só sabe que foi assim
E isso me faz fugir desse jogo voraz
Em que a maioria é ingrata por estar viva
E menos ainda enxerga alguma alternativa
Que não cite você, quer dizer, que não cite mais
Mas, ao mesmo tempo, eu vivo de histórias
E misturo nelas quem eu quis ser
Também enxergo o que não cabe no manuscrito
Desse roteiro acontecendo sem porquê
Disso agora ainda não ser belas memórias
Porém, em breve, me farão infinito
Mas, afinal, qual é a resposta?
É o que eu vivo pra não dizer
Se você nem reconhece o que importa
Por que entenderia o que eu quis dizer?