Paredes altas ocultam o horizonte
O céu é um retalho cinza entre os prédios
A pressa é um rio que corre sem fonte
Afogando a alma em pequenos tédios
Mas no silêncio do beco esquecido
Ou no ruído da massa que avança
Há um som que não pode ser contido
Um resto de fé, um sopro de esperança
É o eco do concreto, a voz do Infinito
Vibrando nas frestas do que é finito!
Pode o cimento tentar Te calar
Mas até as pedras vão Te anunciar!
Ressoa no aço, ressoa no chão
Deus falando ao centro da multidão
Uma flor que nasce na fenda da calçada
É o Teu sussurro em meio ao deserto
A cidade parece abandonada
Mas sinto Teu passo, eu sei que estás perto
Teologia do asfalto, oração de calçada
Onde o sagrado encontra o profano
Tua voz é a nota nunca alcançada
Pelo ruído do esforço humano
Onde o amor esfriou, Teu eco aquece!
Onde o muro subiu, Tua voz atravessa!
Não há labirinto que Tu não conheces!
Tua palavra é a nossa promessa!
É o eco do concreto, a voz do Infinito
Vibrando nas frestas do que é finito!
Pode o cimento tentar Te calar
Mas até as pedras vão Te anunciar!
Ressoa no aço, ressoa no chão
Deus falando ao centro da multidão
Ecoa Em todo lugar
Ruído Sagrado
Zion Noise