A chuva risca o vidro do ônibus lá fora
O mundo corre em cinza, todo mundo tem sua hora
Olhei pro lado e vi o reflexo de um estranho
Perdido em números, metas e tamanho
Mas entre o embaçado e a luz do farol
Senti um calor que não vinha do Sol
Uma mão invisível limpando o meu olhar
Me ensinando que a vida é saber esperar
Vidros embaçados não me impedem de ver
Que além do asfalto existe o teu ser
Onde o tempo para e a paz faz morada
És o meu descanso no fim da jornada!
Escrevi teu nome no vapor da janela
A cidade é bruta, mas tua graça é bela
Entre buzinas e o caos do cruzamento
Ouvi tua voz no sopro de vento!
Não sou mais o rosto na multidão sem nome
Tem um banquete que mata minha fome
De eternidade, de algo real
Um brilho eterno no plano material!
Vidros embaçados não me impedem de ver
Luz no cinza!