Ele anda pela rua como quem não vê ninguém
Olhos frios, céu cinza, não sente o que vai além
Construiu seu próprio mundo feito de ilusão
Onde o amor não entra, nem pede permissão
Fez muralhas de concreto no lugar do peito
Transformou sentimento em defeito imperfeito
No espelho só reflete solidão disfarçada
Um sorriso ensaiado, alma acorrentada
Mas quando a noite cai e o silêncio vem falar
Até o mais duro aço começa a rachar
No mundo imaginário de um cidadão sem coração
Não existe primavera, só eterna estação
É um rei sem trono, preso na própria prisão
Fugindo da verdade, negando emoção
No mundo imaginário ele finge ser forte
Mas por dentro o vazio grita mais alto que a sorte
Ele pinta seus dias com cores que não sente
Promessas ao vento, olhar indiferente
Ri das dores alheias pra esconder a sua
Caminha sozinho numa estrada crua
Fez do medo seu escudo, da frieza sua lei
Enterrou o que era humano e nunca mais voltou a ser rei
Mas toda fortaleza tem rachadura escondida
E até gelo derrete quando encontra vida
E no fundo da noite, quando ninguém vê
O coração que ele negou começa a bater
No mundo imaginário de um cidadão sem coração
Não existe primavera, só eterna estação
É um rei sem trono, preso na própria prisão
Fugindo da verdade, negando emoção
No mundo imaginário ele finge ser forte
Mas por dentro o vazio grita mais alto que a sorte
No mundo imaginário de um cidadão sem coração
Não existe primavera, só eterna estação
No mundo imaginário ele finge ser forte
Mas por dentro o vazio grita mais alto que a sorte