Dirigindo a noite, céu preto
Sinto vazio no peito
Garrafas vazias, eu vou pro baile dar um tempo
Mato mais um pensamento
Eu já não sei quem sou por dentro
Ansiedade que consome, e eu não consigo dormir
Estrangulado pela pressão
Bota fogo no meu próprio fluxo de diminuição
No meu porta-mala, eu carrego meus fantasmas
No meu porta-luva, minha cura é carregada
Todos os meus sonhos estão mortos
Todo o meu amor se transformou em ódio
A vida que planejei é onde eu me afogo
Me afogo
Todos os meus sonhos estão mortos
Todo o meu amor se transformou em ódio
A vida que eu planejei é onde eu me afogo
Me afogo
Mais uma vez, eu viro a noite
No baile sombrio de São Mateus
(Sombrio de São Mateus)
Meu subconsciente sujo
Me afasta de todas as pessoas
(Só quero que me deixem em paz)
Aos 20 e poucos anos, sonhava em cantar pro mundo todo
Cheguei às 30 no fundo do poço
Subi no palco, olhei pros olhos de 500 pessoas
E, ainda assim, me senti solitário
A cada trago, eu tô mais perto do final
Fim de semana chegou, e eu já não tô normal
Responsabilidade, não suporto a rotina
Dificuldade pra dormir, eu tomo quetiapina
O mundo não vai parar pra poder me esperar
Nesse copão gelado, afogo a neurose
Hoje, o baile vai virar
Só fumaça pro ar
E eu não vou voltar pra casa, porque eu tô maluco
Dividindo meu copo com pessoas vazias e fúteis
Compensando minha dor com uma transa vazia, isso me ilude
Preocupado com momentos que, de fato, nunca vão acontecer
Fumo mais um pra tentar esquecer