Passei tanto tempo apontando
Erros que eu vi nos outros
Afirmei nunca seguir seus passos
Afirmei não repetir seus modos
Fiz da crítica uma armadura
Da razão, minha proteção
Mas enquanto julgava o mundo
Quem vigiava meu coração?
É fácil enxergar de longe
Aquilo que não queremos ser
Difícil é olhar para dentro
E reconhecer o que há em você
Eu não quero me tornar
Aquilo que um dia detestei
Não quero vestir os mesmos erros
Que tantas vezes condenei
Se eu combater a escuridão
Sem cuidar da luz que há em mim
Posso acabar me transformando
No inimigo que sempre combati
Já vi a raiva mudar de nome
O orgulho aprender a disfarçar
Há quem condene a arrogância
Sem perceber que já começou a julgar
E eu também tenho minhas sombras
Meus defeitos para enfrentar
Porque ninguém conhecerá a própria face
Enquanto não aprender a vigiar
Talvez vigiar o mundo inteiro
Não seja a melhor solução
Há batalhas que começam
Dentro do próprio coração
Eu não quero me tornar
Aquilo que um dia detestei
Não quero vestir os mesmos erros
Que tantas vezes condenei
Se eu combater a escuridão
Sem cuidar da luz que há em mim
Posso acabar me transformando
No inimigo que sempre combati
Por isso eu vigio meus passos
Antes de julgar qualquer direção
Porque o homem que aponta o dedo
Também precisa da própria correção
Não quero vencer uma guerra
Perdendo aquilo que sou
Nem destruir todos os monstros
Para descobrir que um deles me habitou
Eu não quero me tornar
Aquilo que um dia detestei
Se o mundo precisa de mudança
Que ela comece onde eu errei
Antes de exigir do outro
A mudança que espero encontrar
Vou olhar primeiro para dentro
E verificar se restou algo a mudar
É preciso vigiar os passos
Antes que o mundo mude a gente
Eu não quero me tornar
Aquilo que um dia detestei
Não quero vestir os mesmos erros
Que tantas vezes condenei
Se eu combater a escuridão
Sem cuidar da luz que há em mim
Posso acabar me transformando
No inimigo que sempre combati