Eu fui pegado a cachorro
Nas grotas lá na campanha
Sai dum rancho de barro
Numa pobreza tamanha
Pra morar em Porto Alegre
No meio de gente Estranha
Só nunca fui vagabundo
Quem não arrisca no mundo
Não perde e também não ganha
Eu sonhava em ser artista
Mas o destino era ingrato
Na cidade um grosso sofre
Logo que chega do mato
Era igual um camundongo na unha de trinta gato
Me apavorava com os miado
Fui trabalhar de empregado
Quando aperto meu sapato
Eu mesmo notava em mim
Que eu tinha talento de sobra
Mas o homem tem vergonha
Pra miséria não se dobra
E o destino do sapo é morrer na boca da cobra
Nem procurei meus parente
Fui trabalhar de sevente
E morar dentro das obra
Fui servente de pedreiro
Logo que vim da lavoura
Mas sempre pedindo a Deus, pra minha santa protetora
Que eu pudesse grava um disco pra rodar nas emissora
E o que sou devo a seu Pérsio
Que acredito no meu verso
E me levou pra gravadora
Desde do meu primeiro disco
Eu acreditei e tive sorte
Sou mesmo peão do Rio Grande
Viajando de Sul a norte
Hoje meu povo comenta que as minha letras são forte
Venci fazendo aventura e água fria também pura
Quando o mal não é de morte
Assim contei minha história
Quando cheguei la dos brejo
Tropicando pelas ruas
Índio grosso sem colégio
Na faculdade do mundo aos poquito eu me falquejo
Lutei e Deus me ajudou
Com mamãe que me criou
A minha vitória eu festejo