Hum, hum, Sussurro das Encruzilhadas
Hum, hum, Maria Mulambo!
Nasci cercada de luxo, filha de um grande senhor
Meu pai era respeitado, tinha palavra e valor
Entre bailes e contratos aprendi a crescer
Sabendo que o nome da família era pra defender
Casei com outro nobre, aliança de salão
Com o tempo amei aquele homem com fé no coração
Mas quando meu pai partiu, levou junto a proteção
E eu fiquei só, dentro do tabuleiro da ambição
Enquanto eu chorava luto e saudade no olhar
Eles contavam minhas terras, prontos pra tomar
Assinei sem nem desconfiar, cega de amor
E acordei sem nada, traída sem nenhum valor
Na rua eu dormi sentindo o peso da humilhação
Vestido rasgado, orgulho firme no coração
Ouvi risos de quem já sentou na minha mesa
Provei o gosto amargo da incerteza
Chorei sozinha sem plateia pra ver
E mesmo na dor não aceitei me corromper
Até que um bando cigano me estendeu a mão
Olharam nos meus olhos com compaixão
Me ensinaram magia, leitura e visão
Segredo da venda, palavra e persuasão
Com eles eu girei estrada, aprendi a negociar
Usei o que eu sabia e o que aprendi pra recomeçar
Misturei feira com magia, cartas e intuição
E virei mercadora com poder nas mãos
Com fé, comércio e espiritualidade
Eu voltei mais forte, com nova autoridade
Cair faz parte do risco de viver
É no fundo do poço que a gente aprende a crescer
A queda ensina onde o pé deve pisar
E quem aprende na dor, sabe se levantar
Gira a saia na poeira do chão
Cada volta é promessa de superação
No compasso quente do calcanhar
É na própria queda que se aprende a dançar
Aprendi que a vida ensina no calor da prova
Que quem perde tudo pode voltar de forma nova
O mundo gira e cobra atenção
Sabedoria é ouro que nasce da pressão
Aprendi que luxo é postura, é visão
É manter a essência em qualquer chão
Se hoje eu brilho é porque entendi
Que a maior riqueza mora dentro de mim
Gira a saia na poeira do chão
Cada volta é promessa de superação
No compasso quente do calcanhar
É na própria queda que se aprende a dançar
Nunca esqueça do dia que você caiu
Foi ali que o orgulho sumiu
Foi ali que a casca rachou
Mas foi ali que você de verdade acordou
Quem sente a dor aprende a enxergar
Aprende o valor de cada olhar
A rua me deu faro e direção
Transformou lágrimas em ambição
Teve nobre que riu quando me viu na sarjeta
Virou o rosto, fingiu que eu era qualquer sujeita
Hoje cruzam comigo na feira central
E abaixam os olhos no meu festival
Porque eu cresci mais do que eles sonharam
Negociei terras que eles juraram
Destronando sobrenome que só tinha pose
Mostrei que caráter vale mais que brasão e ouro no cofre
Mas riqueza de verdade não sobe pra cabeça
Quem já dormiu na rua sabe o peso da promessa
Dar a volta por cima é vencer sem se perder
É ter poder nas mãos e ainda assim saber quem você vai ser
Cair faz parte do risco de viver
É no fundo do poço que a gente aprende a crescer
A queda ensina onde o pé deve pisar
E quem aprende na dor, sabe se levantar
Gira a saia na poeira do chão
Cada volta é promessa de superação
No compasso quente do calcanhar
É na própria queda que se aprende a dançar
Aprendi que a vida ensina no calor da prova
Que quem perde tudo pode voltar de forma nova
O mundo gira e cobra atenção
Sabedoria é ouro que nasce da pressão
Aprendi que luxo é postura, é visão
É manter a essência em qualquer chão
Se hoje eu brilho é porque entendi
Que a maior riqueza mora dentro de mim
Gira a saia na poeira do chão
Cada volta é promessa de superação
No compasso quente do calcanhar
É na própria queda que se aprende a dançar