Ê, malembe! Ê, malembe!
A vida fala conosco, mas nem sempre escutamos
Os mais velhos deixaram palavras
Que atravessaram gerações
Palavras simples, mas mais valiosas que ouro
Hoje venho cantar, a sabedoria da aldeia
A criança que cresce sem abraço
Sem carinho, sem colo, sem proteção
Vai guardando a dor no peito, vai escondendo a solidão
E quando a alma não encontra abrigo
A revolta começa a nascer
Quem nunca recebeu o calor da aldeia
Pode querer a aldeia arder
Mas quem planta amor no coração
Evita a dor se transformar
Porque até a ferida mais profunda também pode cicatrizar
Por isso, escuta bem (o que os antigos deixaram para nós)
A sabedoria da estrada que ainda fala
Pela voz dos avós
(Ô, malembe, malembe) a vida ensina devagar
(Escuta os provérbios da aldeia) aprende a melhor caminhar
(Ô, malembe, ê, malembe) ninguém nasceu para viver só
(Porque até o leão mais forte) um dia precisa da ajuda do rato
Ê, malembe! Ê, malembe!
O velho senta para enxergar
Aquilo que o jovem não vê
A experiência fala baixinho
Mas sabe muito mais, do que parece saber
A juventude corre depressa, quer!
Chegar antes do amanhecer
Mas quem já caminhou muitos caminhos
Aprendeu primeiro a compreender
Por isso, respeita os mais velhos, escuta antes de decidir
Quem aprende com quem já viveu, erra menos ao prosseguir
Perguntar nunca foi fraqueza (fraqueza é fingir conhecer)
Quem faz perguntas encontra caminhos
E nunca se deixa perder
Quem conta a história? Quem escreve a memória?
Porque enquanto o leão se cala, o caçador recebe a glória
E quantas verdades ficaram perdidas
(Sem ninguém para as contar?)
Quantos povos foram esquecidos
(Sem voz para se levantar?)
Chegou o tempo da nossa história
Chegou o tempo da nossa voz
Que o mundo escute os leões
Que viveram antes de nós
(Ô malembe, malembe)
Chegou o tempo de despertar
(Que os leões contem sua história)
Para o mundo inteiro escutar
(Ô, malembe, ê, malembe)
O rio corre sem pedir nada
(Porque o rio não bebe sua água)
Foi feito para dar vida à jornada
(Ô, malembe, ê, malembe)
O fruto da vida é partilhar
(Quem vive apenas para si mesmo)
Nunca aprende o que é amar
Lembra-te
A criança precisa do abraço da aldeia
O leão também precisa do rato
O jovem precisa do velho
E o rio existe para matar a sede dos outros
Porque a verdadeira grandeza, não está em ser maior
Está em servir