Era uma noite qualquer
Quando ela entrou por aquela porta
Trouxe consigo um destino cruel
E o querosene da minha revolta
Olhai os lírios mortos do campo
Como campos minados de cólera
Entregues como carne à miséria
Na geometria da memória
Deixe os pés caminharem por si só
E compreenda a máxima que te persegue
Transmute e transcenda a essência do pó
E espante-os com o corpo que se ergue
Encare a máquina do absurdo
A criação do ser já criado
Estamos presos num filme mudo
Em que apenas os gritos são filmados
É que algumas tragédias
Não precisam ser arquitetadas
E você sabe bem
Você sabe bem
Se sou Deus
Então eu sou o meu próprio diabo
Se sou Deus
Então eu sou o meu próprio diabo
Lírios e delírios
Lírios e delírios
São lírios e delírios
Lírios e delírios
Flores de carne e sangue
Flores de carne e sangue
Flores de carne e sangue
Malditas flores de carne e sangue
O que você enxerga
Não é o que parece
As portas foram abertas
E ninguém irá fechar
O dia vira noite e a noite vira dia
Sinto minha vida desabrochar
Masoquismo
Erógeno
Feminino
Imoral
Pessimismo
Psicótico
Vampirismo
Imortal
Perversão
Atração
Repulsão
Digital
Um demônio
Psicodélico
No abismo
Virtual
Divino
Demoníaco
Anomalia
Surreal
E seja
Bem-vindo
Ao deserto
Do real