Nos encontramos numa esquina qualquer, em um bar enfumaçado
Você com seus olhos de fogo, e eu de pé, com meu coração despedaçado
Você, uma bomba prestes a explodir
Eu, uma fagulha, pronto pra incendiar
Naquele ponto já não havia como fugir
Nossos olhos estavam destinados a cruzar
Nós somos a faísca que acende as ruas
E quando a noite cair, eu estarei ao teu lado
Entre prédios desmoronando, em cinzas e poeira
O som dos nossos passos ecoava pelo frio asfalto
Dois corações buscando algum sentido
No fim de noite de uma sexta-feira de pernas pro alto
Como fogo no escuro, que ninguém acendeu
Presos à mesma prisão mental que a vida nos concedeu
De mãos dadas, juntos no mundo que nos jogaram
Nessa dança sem regras e sem rédeas, somos aqueles que se libertaram
Pois nosso amor é feito de aço e de cicatrizes
Erguido entre ruínas, perdido em diretrizes
E se o mundo desabar, vamos estar lá
Entre grafites e muros a desmoronar
Nos becos onde o medo espreita, é onde o amor e a luta é feita
No nosso amor libertário, somos reis sem coroa
Com jaquetas rasgadas
Dançamos sobre o caos, na noite que ecoa
Roubando lojas, água e comida
Dividindo entre os desafortunados e sem moradia
Sem grana, sem planos, sem lugar pra ir
Mas está tudo bem, contanto que você também esteja aqui
E quando o Sol nascer, se a gente não tiver onde ficar
Caminharemos juntos, no rastro do qualquer lugar
Com a cidade nos engolindo, a gente se perde e se encontra
Você me empurra, eu te puxo de volta
Porque mesmo fodidos, com os bolsos vazios
Você é minha fortaleza, no meio dos escombros dessa cidade morta
Pois nosso amor é feito de aço e de cicatrizes
Erguido entre ruínas, perdido em diretrizes
E se o mundo desabar, vamos estar lá
Entre grafites e muros a desmoronar
E quando tudo ao redor parece se perder, somos o que nos resta
Entre as rachaduras da cidade que nos devora
Cada esquina é uma história
Entre o barulho das ruas, você é minha festa
E mesmo quando a gente briga, se machuca, se arranha
Sem pensar duas vezes, logo se assanha
E quando a última nota foi tocada
Encontramos abrigo nas palavras sem juízo, e nas promessas guardadas
Nada nos separa
Entre paredes grafitadas, e sonhos quebrados
Nosso amor é a faísca que mantém os dias significantes
Como deuses, destruindo e criando
No fim teremos nosso amor, a rua e o Sol do levante
Pois nosso amor é feito de aço e de cicatrizes
Erguido entre ruínas, perdido em diretrizes
E se o mundo desabar, vamos estar lá
Entre grafites e muros a desmoronar