Beije meus lábios com gosto de agressão
O roxo em meu olho esquerdo que combina com o anel da sua mão
Toque na minhas pele queimada
Retire a mascara e veja meus olhos que sangram
Chega de madrugada, fedendo a cerveja barata
Diga que me ama enquanto me espanca
Eu me silêncio em meu quarto vazio
Tomada pelo medo desse amor doentio
As crianças na sala assistindo aquela cena assustadas
Papai, pare, eu não aguento mais
Vá já pro seu quarto, moleque
Isso é assunto dos seus pais
Onde esta o feliz para sempre?
Talvez uma tentativa de adiantar o até que a morte os separe?
Se eu pudesse voltar no tempo e me ver adolescente
Diria, garota, não se case
Veja o monstro que se tornou
Essas marcas não são tatuagens
Estupro na noite de Natal, agressão no ano novo
Outro ano começa, pra começar tudo de novo
E se vai perdendo a vaidade
O amor próprio
Vai perdendo a liberdade
E cultivando o ódio
Sinta os hematomas, já estou em coma?
Me deixando inconsciente, me entupo de entorpecentes
Tenho que suportar, tenho as crianças pra cuidar
Um dia eles vão crescer, e os filhos de Magdalena vão cultivar a paz
Ensinarão os filhos à serem diferentes do pai
No final da noite vai pedir perdão
Dizer que não teve a intenção
Veja as marcas nesse corpo, as feridas nesse rosto
Já que não pode ver essa alma que chora de dor
E no final diz que foi tudo por amor
Mas eu não vou mais aceitar
Está na hora disso acabar
Estou botando aqui um ponto final
Estou indo embora com as crianças
Pois até Magdalena merece uma redimissão, afinal
Mas este é só o começo da história de uma mulher qualquer, embora longe do ideal, real
Veja o monstro que se tornou
Essas marcas não são tatuagens
Estupro na noite de Natal, agressão no ano novo
Outro ano começa, pra começar tudo de novo
E se vai perdendo a vaidade
O amor próprio
Vai perdendo a liberdade
E cultivando o ódio