Te encontro entre as árvores altas, no verde eterno
Nas sombras que dançam sobre o chão macio
És a brisa que corre em perfume terno
Um segredo em flor, que em silêncio eu persigo
És ipê roxo que se abre em um suspiro
Cores que aquecem o entardecer
Como se o céu tocasse o teu sorriso
Num instante de luz que não quer se perder
És orquídea rara, és flor de açucena
És o cheiro da terra ao primeiro amanhecer
És a paz que nasce, calmaria plena
No abraço verde que só a flora pode oferecer
És bromélia, escondida em entrelaços
Forte e selvagem nas pedras que abraça
Como quem encontra nos próprios passos
A beleza que a chuva e o tempo enlaça
E teu toque é a água cristalina
Que desliza em riachos de encanto e paz
Suave como flor de jacarandá fina
Delicada promessa que a terra traz
És orquídea rara, és flor de açucena
És o cheiro da terra ao primeiro amanhecer
És a paz que nasce, calmaria plena
No abraço verde que só a flora pode oferecer
És a dança das folhas num vento sereno
Que, ao cair da tarde, suavemente se cala
És o som das águas, segredo pequeno
De cachoeira que em bruma se embala
No brilho da Lua, teus olhos refletem
A pureza escondida da mata antiga
És flor que se abre quando as estrelas se acendem
Uma chama no breu que a alma abriga
És orquídea rara, és flor de açucena
És o cheiro da terra ao primeiro amanhecer
És a paz que nasce, calmaria plena
No abraço verde que só a flora pode oferecer
A tua presença é perfume que invade
É dama-da-noite em mistério profundo
Como se a floresta guardasse a verdade
De um amor que não cabe nos limites do mundo
E assim, em cada folha, em cada espinho
Descubro teu nome no vento que passa
E sinto, entre galhos, meu próprio caminho
Onde o amor, feito flora, eternamente abraça
És orquídea rara, és flor de açucena
És o cheiro da terra ao primeiro amanhecer
És a paz que nasce, calmaria plena
No abraço verde que só a flora pode oferecer