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Confira a Letra Versos Debaixo D'água

Oi! Cara de Boi

Versos Debaixo D'água

Vê se não te demoras
Faz tempo que tô contando as horas
Pra ter teu acalento
Um momento a sós contigo lá fora

Eu sei que tens medo, pois tenho também
Mas já é cinco de novembro e algo precisa ser feito
Sou apenas um agnóstico imperfeito, idealista e incorreto
Te ofereço duas doses de filosofia, algumas de minhas poesias e meu afeto

Pois o equilíbrio é o abrigo do do alquimista e do martírio
Eu sou o contraponto diante dos contratempos do indivíduo
Já fui tão jovem mas agora estou mais próximo do fim do que do início
E quando a fé acaba já não basta o sacrifício

Somos as alma primárias que morrem afogadas
E seremos a desordem na miséria ordenada
Te dedico meus versos sufocados debaixo d'água
Para dançarmos com a liberdade brandada em voz alta

Eu sou careta e apático
Antipoético e Antipático
Um sujeito patético de sorriso contagiante
Na eterna falta do que dizer me vi entediante

Mas também sou a opressão do opressor
A voz do oprimido transgressor
Um ator sem falas num monólogo tenso
Eu sou a liberdade que discorda do consenso

Somos as alma primárias que morrem afogadas
E seremos a desordem na miséria ordenada
Te dedico meus versos sufocados debaixo d'água
Para dançarmos com a liberdade brandada em voz alta

E eu sou o único responsável pelo nosso trágico destino
Enquanto amo como se ainda fosse um menino
Agora é minha vez de roubar como seus reis roubaram de meus ancestrais
Bispos e rainhas derrubados por pões
Agora cavalos e torres estão sem cardeais

Essa é a lei natural das coisas
Os subornos e subúrbios sem subsídios
Somos o alvo da bala e do suicídio
Mas tu te lembras de quem nós éramos no princípio?

Tu eras Mafalda de Quino
Eu, de Ziraldo, Maluquinho
Agentes do caos, vítimas do capitalismo
Mas nosso amor tem sabor de fruta tropical regada com o veganismo

Somos as alma primárias que morrem afogadas
E seremos a desordem na miséria ordenada
Te dedico meus versos sufocados debaixo d'água
Para dançarmos com a liberdade brandada em voz alta

O estado quer que sejamos apenas mais um número nas estatísticas
Mas somos filhos de uma sociedade alternativa
Cobrimos todas as nossas feridas lambendo os buracos das veias abertas da América Latina
Nós somos mestiços vira-latas com sonhos anarquistas
O amor é uma escolha e eu te escolho pra toda a vida

Somos as alma primárias que morrem afogadas
E seremos a desordem na miséria ordenada
Te dedico meus versos sufocados debaixo d'água
Para dançarmos com a liberdade brandada em voz alta