Tenho dores pra curar e um sorriso na cara
Tenho amores pra lutar, que me preenchem a alma
Tenho flores pra te dar, com as mais belas cores estampadas
Não tenho senhores para honrar, pois minha liberdade é tão cara
Construí minha personalidade ao longo da estrada
Abri mão de tanta coisa por elos que hoje já não me valem nada
Os Judas que beijaram meu rosto com a face mais deslavada
Não podem apagar de mim o brilho
Nem com tiro da mais certeira bala
Eu sou
Senão outro
Eu
O que sou
Senão memórias daquilo que se desprendeu?
Eu estou em órbita em meu próprio universo
Eu descobri que o amor é muito mais que poesia e palavras bonitas em versos
Ah, que dia
Que dia, minha senhora
Não vês que vem vindo a aurora?
Agora sou eu quem devo partir
Porque a mim
Meu corpo e meu espírito já não cabem mais aqui
Estou grande demais pra essa claustrofobia
Eu preciso me permitir ser um gigante
Mas não um golias, jamais um vassalo
Mas aquele que detém alegrias para dividir
Com os virtuosos e os fracassados
Ah, como é bom ter consciência de si
O autoconhecimento é tão prazeroso
Agora me despeço destes versos
Prometo-te que em breve, lhe escrevo outros
Seja tu tua morada, como sou a minha
Lhe garanto, a jornada nunca mais será deprimida
Estampe um sorriso neste teu rosto maroto e atrevido
Diante da vastidão do tempo e da imensidão do universo
É um imenso prazer para mim dividir um planeta e uma época contigo