Eu era muito pequeno
Mas ainda estou lembrado
De um dia que meu avô
Ficou muito adoentado
Aí vovó levou ele
Ao hospital vexado
Como vovó e vovô
Num pé de serra morava
Bem distante da cidade
Onde carro não chegava
Minha avó selou um cavalo
Que perto de casa estava
Vovó montou no cavalo
Depois que o mesmo selou
Jogou vovô na agrupa
E pra cidade desabou
Foi direto ao hospital
Levando o meu avô
Quando chegou no hospital
Vovó ficou esperando
Quando o médico disse, o próximo
Minha avó foi logo entrando
Com o meu avô de lado
Na mão dele segurando
O doutor disse a vovó
O que a senhora sente?
Vovó disse é meu velho
Que está muito doente
Sente no corpo inteiro
Dores diariamente
O doutor fez a consulta
E o remédio passou
A minha avó recebeu
A receita e perguntou
Como é que esse remédio
Ao meu velho eu dou?
O doutor disse são três
Comprimidos ao dia
De hora em hora a senhora
Dê a ele com alegria
Um comprimido que ele
Fica bom com garantia
Minha avó disse doutor
Como é que eu vou marcar
As horas para meu velho
Esse remédio tomar
Se eu não tenho relógio
E nem posso um comprar?
Nisso o doutor perguntou
Para minha avó ligeiro
Me diga se a senhora
Tem galo no seu terreiro
Vovó disse eu tenho um galo
Que canta o dia inteiro
O doutor disse a vovó
Por essa forma a falar
Já que a senhora não tem
Um relógio pra marcar
As horas para seu velho
Esse remédio tomar
Cada vez que o seu galo
Cantar lá no seu terreiro
A senhora dê a ele
Um comprimido ligeiro
Que seu velho vai ficar
Sadio e prazenteiro
Não se esqueça do galo
Fique só pensando nele
Faça a luta, mas faça
Sem tirar os olhos dele
Assim que ele cantar
Dê o comprimido a ele
A vovó agradeceu
Ao médico na hora
Aí montou no cavalo
Rapidinho sem demora
E com vovô na garupa
Pra casa foram embora
E quando chegou em casa
A minha avó esperou
O galo dela cantar
E assim que ele cantou
Ela abriu o bico dele
E um comprimido empurrou
A minha avó beradeira
De pé de serra isolado
Achou e pensou também
Que o médico tinha indicado
Ela dá o remédio ao galo
Pra vovô ficar curado
Quando o galo cantou
A segunda vez, então
Vovó agarrou o galo
E abriu o bico com a mão
Meteu outro comprimido
No galo sem compaixão
Na terceira vez que ela
O remédio ao galo deu
O galo se entoxicou
Caiu no chão e morreu
E vovô por não tomar
O remédio, faleceu!
Aí quando vovó viu
Seu galo morto no chão
E o meu avô sem vida
Estirado no colchão
Ela foi ao hospital
Com uma raiva do cão
Chegou lá disse, doutor
O senhor é muito ruim
Passou o remédio errado
Pra meu velho Joaquim
O remédio não serviu
E o meu velho levou fim
O doutor disse, a senhora
Deu o remédio certinho
Do jeito que eu mandei
Dá para o seu velhinho?
Minha avó disse eu dei
O remédio direitinho
Quando meu galo cantou
O bico dele eu abri
E lá na goela dele
O remédio eu meti
Como o senhor mandou
Mas resultado não vi
Empurrei três comprimidos
No bico do galo meu
O meu galo caiu morto
Meu velho também morreu
O doutor disse, o que eu disse
A senhora não entendeu
Eu disse assim pra senhora
Quando seu galo cantar
Dê o remédio a ele
Ao velho, sem demorar
A senhora deu ao galo?
Como o velho ia escapar?
O galo entoxicado
Morreu com o comprimido
Sem o comprimido o velho
Da doença foi vencido
E a senhora matou
Seu galo e seu marido
Quando o doutor disse isso
Minha avó teve um abalo
Caiu tremendo e morreu
Rinchando igual um cavalo
Se acabou duma vez
E assim morreram os três
Vovô vovó e o galo