A luz da tela avisa que a fila andou pra você
O teu sorriso aberto é o que eu não queria ver
Fiquei parado olhando a moldura do passado
Buscando a encruzilhada onde tudo deu errado
A gente remendou o pano, tentou de novo no laço
Mas o destino é bicho bruto e não quis ceder o espaço
Dói ver que o jardim que eu reguei com o meu pranto
Hoje é o gramado onde outro espalha o seu encanto
Ele não sabe o trabalho que deu pra te ver sorrir
Chegou com a mesa posta, pronto pra te usufruir
O anel que eu desenhei tá brilhando na mão dela
E o eu te amo que era meu hoje é a canção da janela
Tem outro cara escutando o que eu passei a vida esperando!
Ficando com o milagre enquanto eu sigo chorando!
Ele ganhou o prêmio sem passar pela tormenta
Levou o mel da tua boca e pra mim deixou a pimenta!
Vai conhecer teus segredos, o teu beijo mais certeiro
O que mais queima na alma é ver que não fui o último, sendo o primeiro!
E se um dia, por acaso, ele quiser saber de mim
Diz que eu fui a tempestade que abriu espaço pro jardim
Diz que eu fui o homem rústico que tentou até cansar
Mas faltou força no braço pra te fazer ficar
Eu fui o rastro na terra, o pioneiro do teu chão
Eu saí na semeadura, pra ele ter o galpão
Se olhares pelo retrovisor na viagem da tua vida
Lembra que eu te fiz feliz, antes da nossa despedida