Ê, ô, vida de gado
Oi, boi, ê-ê, gado, ô, boi, ô
Nos carrascais do nordeste
Do Minador do Negrão
Desencantou-se um tesouro
Que faz chamar atenção
Alagoas já tem prova
Chama-se Fazenda Nova
Rainha da produção
Da sede do casarão
Se avista uma barragem
Onde patos e marrecas
Enfeitaram a sua margem
Posando pelas planícies
Depois que José Ulisses
Desencantou a paisagem
Ao lado da barragem
Mora um vaqueiro estimado
Honesto e trabalhador
Trabalha sem ser mandado
Seu serviço é liberto
Dorme pouco e é esperto
E toma conta do gado
De manhã sela o rudado
Veste perneira e gibão
Corre as cercas, conta o gado
Depois bebe um quarteirão
Para acabar as afrontas
E volta pra prestar contas
Do rebanho do patrão
Se vai à exposição
Quando volta ao tabuleiro
Grita, aboia, o gado berra
Desce tudo do oiteiro
Começa lhe rodeando
Como quem está perguntando
Onde andavas, meu vaqueiro
O touro no desespero
Quando esturra o gado berra
Cava no pé do barranco
Amola os chifres na terra
Que dá para compreender
Se meu vaqueiro morrer
Na fazenda vai ter guerra
O vaqueiro desce a serra
Tira o chapéu acenando
Aboia chamando o gado
E o gado lhe acompanhando
Para ele a hora é singela
É no passar da cancela
Deixa o gado berrando
José Ulisses esperando
Na frente do varandão
Jota Soares saudando
O povo na região
O churrasco assando em chama
E Jota abrindo o programa
Do dia da apartação
No Minador do Negrão
Fazenda Nova faz plano
Aonde a família Ulisses
Se reúne em cada ano
Para comer churrascada
Tomar cachaça azulada
Pitú, cerveja e cinzano
Ô, boi, ê, ô, ôi
Ô