Ei pah pah, fasta pra lá manhosa ôi ã
Xô boi, ôi pah pah pah estrelinha, estrelinha ê boi pah pah
Mandei ler a minha sorte
Pelo um velho curandeiro
Quando ele abriu minha mão
Disse: A mão tem um letreiro
Dizendo que você é
Filho e neto de vaqueiro, êa
Não vou comer seu dinheiro
Procure logo um patrão
Peça um cavalo de raça
E uma boa arriação
Que se tornará o ídolo
Dos vaqueiros do sertão, êa
Senti que meu coração
Estremeceu de alegria
Fiquei suspenso pensando
E o velho ainda dizia
Seu transporte é um cavalo
E som de chocalho é seu guia, êa
A partir daquele dia
Comecei me sentir bem
Já hoje eu dou e não quero
Mais lição de seu ninguém
Porque conheço os cavalos
Pelos sinais que eles têm, aêa
Sobre os sinais do cavalo
Um é bom, dois é melhor
Se tem sinal encoberto
Três é ruim, quatro é pior
E é dos que corre um minuto
E fica pingando suor, êa
Sou vaqueiro e sou major
Pelo campo graduado
A minha arma é o laço
E um par de espora amolado
Meu quepe é chapéu de couro
E a farda é couro de gado, êa
Sei tratar de quarto inchado
Bicheira, brã e fitosa
Caruara e mal da ponta
Que é doença perigosa
Não quero mais do que sal
Creolina e a babosa, êa
A serra mais ladeirosa
Remexo de cima a baixo
Vaca de bezerro novo
Se ela se esconder eu acho
E pelo jeito dos peitos
Sei se a cria é fêmea ou macho, êa
Quando eu passo o bate-cacho
As perneira e o guarda-peito
Franjo a testa, trinco os dentes
Penso em Jesus e me ajeito
Só respeito a natureza
E o resto eu levo no eito, êa
Sela, freio e guarda-peito
Perneira e chapéu, gibão
Botina, chicote, lóro
Marra, chocalho e cambão
Foi um filme que Deus fez
E lançou em meu coração, aêa
Ô, vida de gado
Fasta pra lá mansinho, ôi boi ê ôi